Ontem era dia de faxina na loja. O dia estava meio chuvoso e o movimento estava calmo. No meio da tarde entrou uma cliente, com um sotaque diferente, desconfio que seja alemã. Ela perguntou sobre papel de carta para crianças, adesivos e envelopes coloridos. Ela tem dois netos, um menino e uma menina, que moram em Manaus. O filho dela é piloto e trabalha há quinze anos na Asas de Socorro.
É tão gostoso quando as histórias de livro aparecem no nosso dia a dia. No momento em que ela falou eu lembrei imediatamente que no livro Através dos portais do esplendor (leia aqui) havia uma equipe muito parecida com essa na qual o filho da cliente trabalha. Eles tem o mesmo objetivo, recepcionar e transportar missionários, fornecer mantimentos e medicamentos e contribuir para que o evangelho alcance lugares que são distantes e quase inalcançáveis.
Ao longo dos anos muitas pessoas perguntaram se eles eram ricos por terem conseguido formar um filho como piloto (pois é um curso caro), e ela respondia negativamente, afirmando que eles nunca teriam condições para tal. Na verdade, quem pagou o curso foi a irmã dela. E então que ela falou uma frase perfeitamente coerente: NÃO É PRECISO TER RECURSOS. BASTA SER OBEDIENTE A DEUS E ELE FAZ ACONTECER.
Uau!!!
Ela pegou duas cartelas de adesivos do Smilinguido, uma azul e uma rosa, uma para cada um dos netos, somei os valores, ela me deu o dinheiro, eu dei o troco e ela foi embora.
E fiquei eu. Com uma história que não é a minha. Com um testemunho que não é meu. Mas com palavras que eu ouvi e que eu quero que também sejam minhas!
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"Minha vida chegou a um ponto sem
retorno"
A vida de Nate Saint foi muito curta,
morreu com apenas 32 anos. Desde pequeno mostrava uma qualidade de
pioneirismo. Aos sete anos fez o seu primeiro vôo. Depois
disso, apaixonou-se por aviões. Com oito anos empreendeu um "estudo"
sobre as hélices do moinho da fazenda onde moravam no interior dos
Estados Unidos.
Como sua família era cristã, Nate aprendeu a Palavra de Deus com
seus pais. Sua irmã Raquel adorava lhe contar as histórias da vida
dos grandes missionários. Em sua juventude serviu na Força Aérea
dos Estados Unidos, onde revelou um talento extraordinário para
mecânica de aviões.
Depois que deixou a Força Aérea, Nate
Saint teve a convicção do SENHOR Deus de ser chamado para Missões.
Conheceu o trabalho missionário da Missão Asas do Socorro que
prestava serviço de aviação aos missionários que
trabalhavam em lugares de difícil acesso, principalmente nas selvas
amazônicas. Estudando teologia e prestando serviço como piloto aos
missionários, Nate foi crescendo na Palavra de Deus, preparando-se
espiritualmente e se fortalecendo para o grande desafio que Deus
preparava para a sua vida.
Foi nessa época que Nate Saint conversando com um colega de
seminário lhe confidenciou que "a sua vida havia chegado no
ponto sem retorno". Seu amigo não entendeu o que ele quis dizer
com isso. Mas guardou aquela expressão em seu coração. Muito mais
tarde ele compreendeu o que Nate naquele dia lhe abriu o coração.
Em 1948, Nate Saint
casou-se com Marj, uma jovem recém-formada em enfermagem, e que
compartilhava com ele da mesma visão missionária. Buscaram a Deus
quanto ao campo que deveriam ir. Estava claro que Deus os
queria no trabalho nas selvas do Equador, na América do Sul.
Nesse período Nate ouviu falar dos índios aucas. Eles eram
selvagens e haviam recentemente atacado um posto de uma companhia
petrolífera matando 14 pessoas. Totalmente arredios e vivendo nas
selvas, os aucas tinham resistido a algumas tentativas de
missionários para alcançá-los. Esses índios recusavam qualquer
contato com brancos e até com outros índios. A maneira pela qual
eles respondiam a todas as tentativas de amizade era sempre com
emboscadas que deixava vítimas feridas por setas e lanças.
Para Nate Saint os temíveis aucas não
foram vistos como selvagens, mas como um povo pelo qual Jesus
Cristo também havia morrido. Cresceu nele uma compaixão por
aquele povo, e com aquele sentimento veio o desejo de alcançá-los.
Uma equipe de cinco missionários foi formada com a finalidade de
alcançar os aucas para lhes levar o Evangelho de Jesus Cristo.
Juntaram-se a Nate Saint, Jim Elliot, Pedro Fleming, Ed McCully e
Rogério Youderian. Começou, então, a "operação auca".
Ficou a princípio estabelecido que tudo fosse preparado com
extremo cuidado e precaução. Mas umas vez havia chegado a notícia
de mais uma emboscada dos aucas com muitas mortes. Por isso, por
vários meses, os cinco missionários se reuniram com suas famílias
para orar e planejar como alcançar os aucas.
Sobrevoando a selva, localizaram aldeias dos aucas e começaram a
jogar presentes para eles. Enquanto isso, uma auca que vivia na
cidade começou a lhes ensinar um pouco da língua daquele povo
feroz: Biti miti puni-mupa (Eu gosto de você e quero ser
seu amigo).
Boas notícias: os aucas começaram a pegar os presentes e a
colocar os presentes deles como uma prova de gratidão e retribuição!
A equipe toda estava eufórica!
Depois de várias trocas de presentes e demonstrações de
amizade, os missionários resolveram descer até a região dos aucas.
No dia 3 de janeiro de 1956, eles aterrisaram numa praia do rio,
fizeram uma cabana, colocaram mais presentes à vista e esperaram o
contato com aqueles índios. Diariamente falavam pelo rádio do avião
com as suas esposas, comentando a expectativa de a qualquer momento
receberem a visita dos aucas. Durante três dias gritaram na língua
dos aucas: Biti miti puni-mupa! (Eu gosto de você e quero
ser seu amigo!).
No dia 08 de janeiro o rádio ficou mudo. As esposas não
receberam mais nenhuma comunicação deles. No dia seguinte, elas
comunicaram o desaparecimento dos missionários. Várias equipes de
busca foram formadas. E, finalmente, encontraram na praia, perto do
avião e próximo da cabana, quatro corpos dos missionários. O corpo
de Ed McCully nunca foi achado. Os cinco missionários foram
assassinados pelos aucas.
E novamente a história de Missões se repetiu. O sangue de
mártires torna fecundo o solo de conversões. Ao saber da morte de
seu marido, Marj teve fé e forças para orar: "Senhor, tiraste
de mim o tesouro mais precioso que eu tinha na terra. Usa a sua morte
ainda mais do que usaste a sua curta vida". Este era o seu amém
e o amém de Deus.
As viúvas e a irmã de Nate Saint, Raquel, anos depois,
continuaram o trabalho de missionário de alcançar os aucas. No dia
08 de outubro de 1958, Betty Elliot e Raquel Saint finalmente se
estabeleceram entre os aucas. Muitos se converteram. Formou-se uma
igreja. E entre os covertidos estava Kimo, um dos matadores dos
missionários. Kimo se tornou pastor, e em 1965, na mesma praia onde
os cinco missionários morreram, ele batizou naquelas águas Kathy,
filha de Nate Saint, a pedido dela e concordância da mãe.
"Minha vida chegou a um ponto sem retorno", disse Nate
Saint antes daquela missão. O seu amigo finalmente veio a descobrir
o que isto significa. Os pilotos da II Grande Guerra quando iam para
os combates tinham que ficar de olho no marcador de combustível.
Quando o ponteiro chegasse ao meio, era hora de voltar, pois o
combustível só daria para o retorno. Algumas vezes, o piloto ficava
tão concentrado nos combates, que esquecia de olhar a reserva de
combustível. Quando ele olhava e via que não dava mais para
retornar, só lhe restava gastar o restante de combustível que tinha
para a missão, sem mais pensar em voltar. Os grandes heróis da
Força Aérea foram os que chegaram a este chamado ponto sem retorno.
Foi assim que Nate Saint compreendeu a sua vida diante do SENHOR
Jesus Cristo. Sua compreensão de Deus e da missão lhe confiada o
levou a um ponto sem retorno – em que o mais importante era cumprir
a Missão!

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